29 de janeiro de 2011

PARA QUÊ UM TITULO

Agora que voltei aqui, interrogo-me o que reinava no teu cérebro aquando da opção que tomaste, de enviar um cartão com as minhas flores.


Este ao estilo da época continha referências pessoais, algumas foram anuladas por ti. Interessante...


Residência foi traçada com a caneta, que omiti na imagem porque era legível. Até aqui normal porque já não residias naquele endereço.


Traçar a tua condição de estudante, também foi óbvio, já não eras.


Mas minha menina!.. a incompreensão foi sobre o teres riscado no cartão, um dos teus apelidos, o nome Coelho.


Se te questionei sobre isto não me lembro, este pormenor não recordo; salvo o esclarecimento de para quem de facto se destinavam as flores que enviaste.


Sendo que no meu apelido também tenho o nome Coelho, era uma engraçada coincidência para ser riscada.


Será que fez parte também da tua prudência sobre e como, a quem se destinavam as flores?


Mas porquê amiga ?!

DEPOIS DE UM ENCONTRO

Foram dez ou quinze dias de ansiedade, porque havendo tanta mulher a telefonar para a Rádio por razões várias como; a radio novela "Simplesmente Maria", os Discos Pedidos, os namoricos com a malta, éramos umas vedetas!... Somente tu é que não telefonavas como tinha ficado levemente insinuado quando nos conhecemos.
Eu bem avisava os colegas telefonistas que estava à espera da chamada de uma pessoa com o teu nome e a minha ânsia era tanta, que às vezes infantilmente pensava que me estavam a esconder o teu possível telefonema.
Com um misto de vaidade (abunda entre os homens em grupo) felicidade, desejo de te ver outra vez, lá fui contando o meu "encontro com o amor" a alguns colegas que como é hábito teceram comentários descabidos do que eu estava a sentir, ninguém estava a perceber.
E então o diálogo tornava-se de surdos e jocoso, sem valor, que não me ajudava em nada, mais a par de estúpidos "avisos".
Finalmente um dia telefonaste, foi uma conversa curta, a perguntares-me como estava, aquelas frases de quem não sabe por onde começar...e eu também não sabia. Na despedida disse-te que ia passar uma música para ti dum grupo chileno (pedi ao Luís Filipe Martins locutor, para passar uma faixa, não me lembro qual, do grupo Atualpa).
Não sei se fiquei melhor ou pior depois do telefonema.
Após a saída de turno da rádio e com mais sossego, percebi que estava com uma luzinha lá distante que se aproximaria ou não conforme tu o desejasses. Para mim não deixavas de ser "duas pessoas" e isso induzia-me um sentimento de respeito, receio (?).
Passado algum tempo, mais uns largos dias, sem saber se devia manter a esperança de que algo acontecesse, cheguei à radio para o turno da tarde, como sempre cheia de reboliço devido à situação revolucionária que se vivia. Era um barafunda de técnica, noticiários, entrevistas, reportagens essas coisas todas que depois vieste a conhecer por dentro.
Não me recordo como, fui informado que alguém tinha mandado entregar um Ramo de Flores, para três de nós, entre eles eu. Não era só para mim... e fui à sala dos Noticiários passado um bom tempo e de facto vejo um pequeno ramo de flores muito composto, com um pequenino envelope com três nomes, sendo que o nome do meio era o meu, Carlos Filipe e a seguir a respectivo endereço da RR.
Dentro, um "cartão de visita" de estudante com o seguinte texto:
"Amigos. Quando estou triste, gosto muito de oferecer flores. Um abraço para vocês. Adélia"
Lembras-te destes conteúdos ?. Pois... foi muito bonito, mas também foi como se me tivesses dado com uma marreta na cabeça.
Então eu é que te conhecia, eu é que gostava de ti, eu é que fiquei de ser contactado, e mandas flores para três pessoas.
Pensei muito, mas não compreendia, não podia ser que não tivesses reparado que te fiquei com afecto desde aquela tarde na Feira do Livro.
Mesmo depois de já viver-mos juntos, só passados alguns meses é que me explicaste a razão daquela opção dos três nomes.
Era que não conhecendo de todo a minha posição na rádio nem os meus relacionamentos, tiveste prudência para não causar-me algum problema, mas que as flores eram mesmo para mim.
E de facto durante estes anos sempre conheci em ti essa prudência e sensatez, perante os acontecimentos importantes das nossas vidas.
Desculpa não ter compreendido o "código" da tua missiva.

EU POSSUIA E TU GUARDAVAS...


Antes de ir para a Guiné possuía no meu quarto em 1971, um poster igual a uma das tuas recordações que me ofereceste no inicio da nossa amizade. Este postal com uma data em letra pequenina Maio72



FLORES


Desde sempre, sabia que gostavas de flores e elas foram a minha "arma secreta".
Nos nossos primeiros tempos, às vezes comprava-te uma flor, gesto que fui perdendo com o decorrer do tempo.


E um dia disseste qualquer coisa como, "nunca mais me ofereceste uma flor" e a partir daí até não deixei de te dar uma flor no meu regresso a casa. Sempre que me cruzava com algum muro com rosas ou outra flor a sobressair ou um canteiro acessível, eu sempre colhia uma flor para ti. De cada vez que entrava em casa com uma na mão, recebia-la como se fosse das primeiras vezes e mesmo antes de me beijares já estavas invariavelmente a cortar o caule e a colocar numa fina jarra com água. Sabia que gostavas de Jarros, mas dificilmente encontrava e só à poucos anos quando estivemos algum tempo na zona de Sintra, consegui satisfazer-te com Jarros.
Clima propicio para esta planta, era fácil encontrar em qualquer pequeno canteiro público e eu trazia para teu prazer e também preocupação porque algum condomínio desses canteiros podia manifestar-se. Mas eu não me preocupava porque era por amor e não por destruição como frequentemente observava. Sempre gostei de ver, embora não desse a atenção devida, a tua estratégia de teres plantas em nossa casa, que não se propiciava nada para o cultivo delas. Era engraçado o teu estratagema, utilizavas plantas que se desenvolviam e multiplicavam em água e daí que tu distribuías por vários recipientes parecendo um pequenino jardim. Creio que a flor foi como que o nosso ícone, nunca perdi a oportunidade de te dar uma por qualquer meio e vou continuar a dar-te até deixar de ser possível.

(anos 80)

28 de janeiro de 2011

O BARCO (modêlo) Jan 2011

Entendeste que este barco, seria uma boa prenda de Natal, e ofereceste-mo.
Comecei agora a construí-lo. Espero finalizá-lo em breve. Prepara-te que não vai servir para andar na água, a não ser que eu lhe consiga dar um bom isolamento, assim o espero.
Por outro lado vou tentar  fazê-lo mais parecido com a Traineira portuguesa, será só excluir um pormenor ou outro. A ver vamos, o que se pode fazer...
Obrigado meu Neto.

26 de janeiro de 2011

FRASE DE AUTORIA DESCONHECIDA


Década de 70...

Este papel, deixaste propositadamente em cima dos nossos livros numa altura em que as "discussões" filosóficas e políticas, eram intensas entre nós e com os amigos. O mundo estava nas nossas mãos, o futuro abria-se para nós e para nossa filha.

"Os que madrugam no ler, convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o reflectir.
O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas principalmente, nas ideias próprias que se geram dos conhecimentos absorvidos mediante a transmutação por que passa no espírito que os assimila. Um sabedor não é um armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas."

REFLEXOS DE UMA REVOLUÇÃO

Fui um dos trabalhadores (hoje chamados de profissionais) da Rádio, da qual ainda até hoje não li a verdadeira história descrita com fidelidade, nem tão pouco as condições em que foi transmitida a segunda senha, a “Grândola Vila Morena”.
Disse-te na altura que aquilo não era uma revolução, mas sim um golpe militar anti-guerra colonial. Tinha regressado da Guiné à pouco tempo e lá tinha ouvido alguns discursos do Spínola.
De facto a Rádio Renascença era forte na mobilização dos trabalhadores. Mas estava infestada de todos os tipos de oportunistas de última hora, falsos progressistas, e os controleiros partidários.
Se acompanharmos o percurso de vida dos trabalhadores da emissora que se assumiam como tal de uma forma sincera, verifica-se agora que poucos progressos tiveram nas suas carreiras...mas os outros, hoje são vedetas na comunicação social.
Os acontecimentos que me obrigava a lutas "surdas" com alguns colegas, a situação da Emissora em auto-gestão, mais o desejo de viver os acontecimentos das mudanças, produziam em mim um stress enorme, como hoje se diz.
Também aqui foste a minha companheira e amiga, quando ocupamos o Centro Emissor da Buraca em Benfica, com o apoio da população e um acampamento montado à volta do edifício com trabalhadores ocupantes (alguns... porque outros já tinham desertado, mas apareceram com esse estatuto, depois de o Emissor ser destruído à bomba facilitando o concretizar do 25 de Novembro) a permanecerem lá as vinte e quatro horas.
Ias lá levar-me alguns lanches, roupa lavada e o teu carinho. Apesar das tuas tarefas, da atenção a dar à já nossa menina, e dos conflitos laborais que também já estavam a iniciar-se na empresa em que trabalhavas, com o abandono dos patrões.
Toda esta vivência de uma forma ou outra se reflectia nos nossos comportamentos, às vezes chegavam a confundir os nossos sentimentos. Lembras-te deste Bilhete ?!

Desculpa-me.

MEU NETO DE OIRO - 2010

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Muito obrigado pelos sonhos que partilhamos.

NOVO ENCONTRO NA LUTA

Na R. Renascença já ocupada pelos trabalhadores, o meu trabalho era na assistência técnica às cabines e desde então participar (ou colaborar dependia do ponto de vista) em alguns trabalhos radiofónicos, biografias e ou histórias de luta revolucionárias, o trabalho de reportagem em termos técnicos não me atraia muito, porque de um modo geral o jornalista gostava de trabalhar em "auto-gestão politico-profissional" e os meios técnicos não exigiam tanto como isso.
Contudo fui eu que fiz a assistência técnica exterior em 16 Março, quando a Brigada do Reumático foi prestar vassalagem a Marcelo Caetano. E eu era o técnico que estava na radio na noite de 24/25 ficando com o Paulo Coelho, mas como sabes isto é outra história das histórias que foram contadas até agora.
Com o desenvolver dos acontecimentos a RR estava presente para reportagem, num leque muito grande de lutas de trabalhadores.
E a tua empresa não foi excepção, e não sei porque carga de água fui com o jornalista, creio que o Jorge Simões (passados 35 anos será que estou a cometer uma inconfidência?) e deparamo-nos frente a frente eu e tu. Estava reunida a comissão de trabalhadores. Vocês expuseram os vossos problemas e eu limitava-me a ouvir e a analisar. Disseram o que tinham a dizer, discordaram em pormenores e reparei que não te estavas a perceber, que naquela altura dos acontecimentos do 25 Abril, os trabalhadores deste país em roda livre nas suas lutas as alavancas partidárias procuravam a todo o custo tomar conta das mesmas lutas. Tive oportunidade com alguma antecipação de verificar isso graças ao lugar em que estava.
Dirigi-me a ti e começamos a falar sobre a situação presente no momento, creio que te alertei para uma ou outra situação patronal, que no vosso calor da discussão não te apercebeste.
Tinha gostado das tuas intervenções, mas no meu entender não eram para convencer ninguém em grupo porque te impediriam sistematicamente. Portanto terias de optar por outra estratégia.
Mas que afinal, fosse ela qual fosse ou de quem fosse, não resultaria da forma que o país se encontrava.
Afastamo-nos do burburinho, falamos também do nosso encontro na Feira do Livro, da nossas vidas, mais de mim desta vez, viemos cá fora beber um café e vim embora esboçando um possível encontro para irmos dar uma volta qualquer dia, ou a possibilidade de voltar a ir à tua empresa.
Mãe do Céu, era muito para mim, fiquei a gostar mais de ti porque vinhas ao encontro do meu então romantismo revolucionário (ou lirismo revolucionário até perceber que o 25A tinha sido um golpe militar e não uma revolução); o facto de estar sozinho em Lisboa e portanto ter de gerir muito bem a minha vida, já ter percebido que eras mãe solteira, a minha admiração por ti a aumentar, uma outra amizade entremeio, o meu interesse político pelos acontecimentos, era como uma hecatombe em cima de mim, e a pensar que concerteza deixaria de ir tantas vezes ao Porto. Tanta coisa para um jovem rapaz como eu.
Mas ao contrário do que eu pensava esta tormenta teve curta duração, porque passado uma semana ou pouco mais, convidaste-me para ir jantar a tua casa.
Eu disse que sim, deste-me pelo telefone todas as indicações para encontrar a casa e ficou combinado para um sábado em que eu fazia o turno da manhã.
Não imaginas como me senti tão pequenino, e tão honrado; ou vaidoso?, sei lá.
Entrei na rua pontualmente à hora que tinhas indicado, que aliás nunca tinha vindo para estes lados, olhava para os números das portas e para as janelas e vejo-te a parecer a uma delas sorridente, um terceiro andar dava perfeitamente para ver o teu sorriso e tive vontade de fugir, de tão inseguro que me sentia.
O dia estava bonito, era a meio da tarde e o sol ainda estava alto.
Subi e convidaste para entrar, depois de me acalmar ou de teres sido capaz de me dares alguma autoconfiança, mesmo assim penso que a Susaninha me ajudou bastante, porque tentando começar a brincar com ela disfarçou um pouco a minha condição, conversamos sobre coisas que não me recordo, conversamos pronto. A tua casa estava como se costuma dizer um brinco, tudo tão arrumadinho que eu quase não sabia aonde colocar os brinquedos da menina.
A tarde estava a passar-se e afloraste a necessidade de tratar do jantar (mal sabias tu Adélia que ias dar-me a primeira prova de fogo) interrogaste se eu gostava de frango assado ao que eu respondi que sim, mas com um nó na barriga. Desconhecias que vinha enjoado de tanto frango do hospital militar e da Guiné. Então lá fomos comprar um frango assado, batatas fritas, preferi cerveja ao vinho, mais sumo para ti e a Susaninha. Pelo caminho ainda fomos ao Parque infantil.
Já tínhamos posto a mesa e feito salada de tomate. Viemos rapidamente para casa e quando entramos a primeira pergunta que fiz, foi se tinhas pimenta para o frango, o que me iria salvar de eventuais enjoos.
Entre a refeição e um pequeno serão conversamos bastante, hoje creio que me escutaste mais do que falaste nesse dia, não que te viesses a revelar uma faladora, mas particularmente nesse dia, fiquei com a sensação que fui vistoriado até ao meu íntimo se tiveste possibilidade. Felizmente que a criança me dava alguns momentos de "folga". Estando com os brinquedos a brincar com ela no chão e tu estavas sentada num sofá muito baixo, diversas vezes estive muito junto de ti apetecendo-me pousar a minha cabeça no teu corpo e dizer que te amava.
O dia estava a acabar e já estava a exceder a hora de deitar a Susaninha, e eu a não saber exactamente como dever comportar-me. Não sabia se ficar, se me retirar, se esperar que tu me desses alguma indicação. E mais uma vez tive vontade de fugir.
Optei por fazer o que a minha educação e princípios me indicaram: não posso defraudar a confiança que esta mulher e mãe depositou em mim. E comecei a despedir-me.
Despedimo-nos com um beijo facial, que gostamos de conversar um com o outro, e até um dia destes. Incluindo a menina, não me recordo se tive o cuidado de levar algo para a ela, mas para ti lembro-me que levei uma flor.
Vocês vieram à janela, acenavas sempre que eu olhava para trás, o que fizeste quase sempre toda a nossa vivência. E lá fui para Lisboa para o meu quarto com um turbilhão de pensamentos.
Querida, não fiquei enjoado e foi-me muito agradável essa tarde de sábado que nunca esqueceremos.

QUANDO FICAVA A TOCAR

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Das nossa músicas, muitas vezes deixava-te a K7 com esta música quando saía à noite para entrar às 02 na Rádio

DESENCONTROS PROGRAMADOS



As nossas vidas sem atingir o que hoje vulgarmente dizem chamar-se stress, eram bastante preenchidas com as tarefas destribuidas em perfeita combinação com as nossas responsabilidades, no que tocava principalmente à criança, com os nossos trabalhos e com aquilo de que gostava-mos ou pelo que lutava-mos à nossa maneira.
Com o desenrolar dos acontecimentos os meus horários por turnos, entretanto se tornaram em turnos sem horários, mas tudo conseguíamos gerir sem conflitos e com alegria, porque estávamos esperançados num país melhor. Isto aguçava por outro lado o desejo de nos "encontrarmos".
Por outro lado ainda consegues ganhar tempo, para me deixares os melhores lanches do mundo por muito simples que fossem, detestavas que eu me mantivesse a café e pastel de nata.
Eu bem me esforçava por te encontrar na tua saída de casa para o emprego, mas os combóios não permitiam, por mais que eu corresse da R. Capelo à estação do Rossio.

Este "desencontro escrito" refere-se ao quinto mês de estar contigo meu amor.

25 de janeiro de 2011

PRETEXTOS DE ESPERANÇA

Tudo fervilhava de formas diferentes à nossa volta, aquilo que sabia-mos antes de forma subversiva, era agora do conhecimento geral. As manifestações de solidariedade com o Chile, com os países africanos e outros, multiplicavam-se. E romanticamente isso fazia parte de nós mesmos, não estava-mos enquadrados partidariamente, pensar nos outros e agir em conformidade com as nossas limitações e consciência, era no fundo o que queríamos fazer tendo como experiência a nossas vidas adolescentes no fascismo. Apesar de tudo, começam a surgir os primeiros sinais de divisão na sociedade e consequentemente as decepções, mas soubemos resistir alimentando a nossa esperança num mundo melhor. Que maior subversão do que amarmo-nos e gerar o companheirismo e a camaradagem entre os que nos rodeavam.


JANTAR FORA


De comboio até ao Rossio, Chiado e descer a R. do Alecrim.

Cais do Sodré até ao Terreiro daqui ao Rossio e completava-se um dos nossos passeios.
Mas... num desses passeios quase já ao fim da tarde ao descer-mos a R. Alecrim com a Susaninha, convidei-te para jantar na Cervejaria Alemã. Não me recordo do diálogo só que estava em causa o que a menina ia comer. Um pouco surpreendida (ou apanhada de surpresa) lá entramos dispostos a ir comer o famoso bife, desde que fosse conseguido resolver a refeição para a criança.
Como ainda era cedo, estavam uma ou duas mesas ocupadas, no bar da entrada, algumas pessoas. Com as "etiquetas" do empregado, comecei a ficar atrapalhado, primeiro porque estava na tua companhia e eras minha convidada e segundo tinha que resolver correctamente o restante.
O empregado atenciosamente quis dar solução ao caso, mas tu não deixaste por mãos alheias a refeição da criança e acabaste tu por resolver com o senhor e seria uma sopa apropriada.

Entretanto num restaurante quase vazio eu tentava distrair a Susana, e foi ela mesma que disse a última palavra, quando o empregado se afastava da mesa "Sr. eu quero a sopa passadinha".
Claro esta frase granjeou a simpatia do Sr. e quando lá fomos mais uma outra vez, fomos cordialmente atendidos.

Foi durante esta refeição que gravei na minha mente, a delicadeza e a elegância dos dedos das tuas mãos.

O POSTAL

Tinha muitos e muitos Postais Ilustrados, não de colecção, mas sim como recordação de uma exposição que eu tinha realizado com amigos na minha adolescência.


A estes foram-se juntando outros da Suzaninha que nós enviava-mos para o Porto quando ela em pequena ia de férias. Só houve um que definitivamente não me deixaste juntá-lo com os outros dentro de uma caixa.


Quando jovenzito como tu à data deste Postal, não tive oportunidade de receber qualquer correspondência, a não ser os postais das faltas na escola e na melhor das hipóteses uns bilhetinhos dobrados em quatro por mão própria...


Claro que este Postal era muito especial para ti, tinha sido enviado pelos teus pais quando também estavas de férias.


Talvez único e não o quiseste perdê-lo. E eu guardo-o até poder.


23 Maio 2007

23 de Mai de 2009















Sempre para ti. 23-05-2007

PRECISO DE TI

18 de Jun de 2009






Preciso tanto de ti,

e tantas vezes te chamo,

mas não é suficiente a força com que te amo.

Amei-te imenso na vida, e agora num lugar frio

um coração magoado clama um espaço vazio.