NÃO ADIANTA UM HOMEM MANTER O LIVRO DA SUA VIDA FECHADO. HAVERÁ SEMPRE ALGUÉM QUE O VAI ABRIR MESMO QUE PARA LER UMA SÓ PÁGINA.
18 de julho de 2008
A SOPA DA MINHA VIDA
17 de julho de 2008
A CRIANÇA E A RELIGIÃO
Neto, lembras do avô te falar muito de barcos, e pareceu-me que gostaste, porque foram muitas as viagens de barco no Rio Tejo que fizeste comigo, lembras-te?. Aliás nunca te faltava um barquinho na banheira, quando tomavas banho. Para finalmente possuíres um telecomandado que te dei, e que temos ido algumas vezes brincar com ele. Escrevo isto, para te relembrar que fui criado no meio de gente do mar; marinheiros e pescadores.
E as mulheres destes homens?. As dos pescadores esperando pelos maridos, irmãos ou filhos na praia ou no cais esperando pelos barcos que se aproximassem de terra e muitas vezes como o avô também viu, afundarem-se quando estão a entrar a barra, depois de uma noite na faina da pesca. Eu vi já com a tua idade algumas Bateiras a afundarem carregadas com as redes molhadas, peixe, acessórios e três a cinco homens com fatos de oleado e botas altas a serem engolidos pelas águas, ou então serem arrastados pelas redes que se espalhavam.

2º esquerda 1º esquerda
Apesar disso Guilherme, por que os homens são livres de terem a fé e a religião que desejarem devemos respeitar e não interferir com as suas concepções, porque a religião em certo aspecto são frágeis capas de "gelatina" que moldam os indivíduos.
13 de julho de 2008
UM AMIGO ARTISTA
Por volta dos meus 15/16 anos, ainda te falta muito para lá chegares Guilherme, o avô tinha dois amigos irmãos um deles o mais velho talves dois anos mais velho que eu, o João.
Era um grande artista a fazer desenhos a lápis, carvão e até, imagina com fósforos anteriormente queimados. Era o João Ferreira, um rapaz muito calado, não tinha continuado os estudos, mas andava sempre com um livro debaixo do braço e ia para os cafés ler, levando com o livro umas folhas de papel e no bolso sempre lápis e esferográficas.
João não gostava muito de mim porque para o feitio dele eu era muito falador. Mas um dia no café depois de assistir com uma roda de amigos, ao trabalho de pintura que ele fazia com o liquido dos restos do café que estavam nas nossas chávenas, tendo como pincel um guardanapo de papel enrolado de forma especial para lhe prestar o serviço que ele desejava, consegui convidá-lo a ir para minha casa, porque tinha lá folhas de papel de vários tipos que a minha mãe trazia da patroa que era uma Srª inglesa, e dava aulas no Colégio Inglês.
Então o João começou a ir até minha casa e a antipatia dele desapareceu durante algum tempo. Era um rapaz revoltado, filho de um taxista que não compreendia que o filho só vivia para a arte. Mas em 1965 em muitas e muitas familias era necessário que os filhos começassem a trabalhar cedo e na melhor das hipóteses iam estudar à noite. Um dia fiz-lhe o desafio de reproduzir uma foto minha tipo passe, e ele aceitou. Ainda colaborou num Jornal que vários rapazes e raparigas criaram na Foz.Deixei de o vêr a partir de certa altura da minha adolescência. Um pouco casmurro, mas foi um bom amigo.
É este o trabalho dele que ainda guardo com carinho ao fim deste tempo. Sabes para que queria este desenho do meu rosto?. Muito simples. Era para oferecer à minha primeira namoradinha a sério, que eu tinha com os meus tais quinze aninhos.

12 de julho de 2008
AS MINHAS LUNETAS

O CHAPÉU DE PALHA E O DIRECTOR ESCOLAR


Portanto festa local, igual a férias escolares. E...como tinha uma avó muito amiga e querida, que me dava vinte e cinco tostões, (2$50 dois escudos e cinquenta centavos) que era suficiente para ir de Eléctrico até Matosinhos e encontrar-me com os meu colegas que residiam por ali nas proximidades. Com os meu tostões e os deles fazíamos grande festa nos carroceis e matraquilhos. Agora já posso falar no chapéu.
UM PARTO DIFICIL

11 de julho de 2008
APRENDER A NADAR
foto 4
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Talvês, com os meus oito anos, uma das minhas aventuras de "natação" era ir para casa da minha tia Maria, que ficava muito próximo da casa da minha avó na Rua do Passeio Alegre. Era uma casa antiga (como todas daquela rua), mas esta não tinha electricidade. Recordo-me que era uma casa com muitos recantos e um pouco escura, tinha um grande quintal à frente com um tanque de lavar roupa. Era um tanque enorme. Muitos anos atrás havia em alguns locais tanques de água comunitários, onde as mulheres lavavam a roupa. Portanto eram caixas de água corrente para dez ou vinte mulheres lavarem a roupa.
9 de julho de 2008
OUTRAS NOVAS RECORDAÇÕES
Guilherme ontem completaste sete aninhos, já passaste para ao 2º ano.
E podes crer, que hoje já começas a ser uma recordação para mim de quando te lia histórias, te cantarolava ao ouvido e te punha na caminha, te dava de papar.
As idas aos Parques e tantas outras coisas de que tu gostavas.
Também és parte dos meus recortes que são destinados a ti, meu neto.
8 de julho de 2008
7 de julho de 2008
OS LIVROS DE AVENTURAS


1 de julho de 2008
OS BRINQUEDOS
29 de junho de 2008
AGRADECIMENTO

AS BRINCADEIRAS COM PRIMO PEDRO
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O Pedro (o meu primo) que uma ou duas vezes por semana ia lá a casa com a mãe, a minha tia Elvira, às vezes levava algum brinquedo de "luxo" como era o caso de um Jipe militar que era de dar à corda e andava sozinho. Um tanque de guerra que andava e fazia estalidos com relampâgos na ponta do canhão.
Bem... nesses dias eu tornava-me num cachorrinho amedrontado e triste; primeiro porque ele tinha tendência a não me deixar brincar com as coisas dele, segundo se eu insistisse sofreria com o ímpeto agressivo que ele tinha.
Ele tinha brinquedos mais caros de que os meus. E porquê ?
Muito simples, o pai era Funcionário bancário e o avô paterno Gerente bancário.
Neste tempo, pós-grande guerra, estou a falar de 1954/5/6 isto fazia uma grande diferença na sociedade.
Agora o que é importante para mim é que desde muito menino aprendi que nem todas as crianças eram iguais.
DESCULPA-ME
Nunca escrevi nenhum diário e muito menos sobre mim.
Desde pouco antes de nasceres, e já estás a fazer sete anos, até agora que o avô pouco leu. Embora antes sempre tivesse lido muito.
28 de junho de 2008
OS MEUS BERÇOS
Voltando aos meus berços, lembro-me do colo da minha avó e quando ela me convidava para ir brincar em cima da sua cama, que era muito grande, isto enquanto ela estava à janela e ao mesmo tempo velava pela minha pessoa. Era uma sala grande, com uma espaçosa cama de casal.
Gostava muito, porque tinha muito espaço disponível e muita luz. Das duas janelas desta sala via-se a entrada da Foz do rio Douro até Sobreiras, local de uma curva do rio para a esquerda seguindo-se um sitio chamado Massarelos. Via-se os Navios que passavam, os barcos pequenos (os botes), o Marégrafo local de sinalização dos Pilotos para os Navios, o Salva-Vidas que servia principalmente para ir salvar pescadores cujos barquitos se viravam nas águas do rio procurando vencer as correntes com o peso das suas redes de pesca. As lanchas dos Pilotos e outras coisas que irei tentar falar-te.
(voltarei a falar deste quadro, que além do mais, foi o local onde pelas primeiras vezes, aprendi alguns dos valores da vida)
Como deves imaginar as casas antigamente eram grandes e o mobiliário também.
Uma "foto" dessa sala que ficava no andar de cima será: uma cómoda muito grande com grandes gavetas, um pequeno móvel onde estava um rádio e outras coisas, a tal cama de que falei, duas mesinhas de cabeceira, duas ou três cadeiras e mais duas coisas altas quase da altura de um adulto, creio que lhe chamavam "colunas" imagina umas mesas com umas pernas muito altas e que o tampo não é maior que o diâmetro de uma bola futebol. Tudo isto em madeira de cor castanha, com muitos relevos e sendo peças muito pesadas. Ah...faltava falar do guarda-vestidos (agora guarda-fatos) que não era do mesmo estilo do restante mobiliário, mas tinha um espelho externo com que comecei a avaliar as minhas próprias palhaçadas, danças, e....mais tarde a vaidade de rapazinho levava a pentear-me vezes sem conta à sua frente.










