26 de janeiro de 2011

QUANDO FICAVA A TOCAR


Das nossa músicas, muitas vezes deixava-te a K7 com esta música quando saía à noite para entrar às 02 na Rádio

DESENCONTROS PROGRAMADOS



As nossas vidas sem atingir o que hoje vulgarmente dizem chamar-se stress, eram bastante preenchidas com as tarefas destribuidas em perfeita combinação com as nossas responsabilidades, no que tocava principalmente à criança, com os nossos trabalhos e com aquilo de que gostava-mos ou pelo que lutava-mos à nossa maneira.
Com o desenrolar dos acontecimentos os meus horários por turnos, entretanto se tornaram em turnos sem horários, mas tudo conseguíamos gerir sem conflitos e com alegria, porque estávamos esperançados num país melhor. Isto aguçava por outro lado o desejo de nos "encontrarmos".
Por outro lado ainda consegues ganhar tempo, para me deixares os melhores lanches do mundo por muito simples que fossem, detestavas que eu me mantivesse a café e pastel de nata.
Eu bem me esforçava por te encontrar na tua saída de casa para o emprego, mas os combóios não permitiam, por mais que eu corresse da R. Capelo à estação do Rossio.

Este "desencontro escrito" refere-se ao quinto mês de estar contigo meu amor.

25 de janeiro de 2011

PRETEXTOS DE ESPERANÇA

Tudo fervilhava de formas diferentes à nossa volta, aquilo que sabia-mos antes de forma subversiva, era agora do conhecimento geral. As manifestações de solidariedade com o Chile, com os países africanos e outros, multiplicavam-se. E romanticamente isso fazia parte de nós mesmos, não estava-mos enquadrados partidariamente, pensar nos outros e agir em conformidade com as nossas limitações e consciência, era no fundo o que queríamos fazer tendo como experiência a nossas vidas adolescentes no fascismo. Apesar de tudo, começam a surgir os primeiros sinais de divisão na sociedade e consequentemente as decepções, mas soubemos resistir alimentando a nossa esperança num mundo melhor. Que maior subversão do que amarmo-nos e gerar o companheirismo e a camaradagem entre os que nos rodeavam.


JANTAR FORA


De comboio até ao Rossio, Chiado e descer a R. do Alecrim.

Cais do Sodré até ao Terreiro daqui ao Rossio e completava-se um dos nossos passeios.
Mas... num desses passeios quase já ao fim da tarde ao descer-mos a R. Alecrim com a Susaninha, convidei-te para jantar na Cervejaria Alemã. Não me recordo do diálogo só que estava em causa o que a menina ia comer. Um pouco surpreendida (ou apanhada de surpresa) lá entramos dispostos a ir comer o famoso bife, desde que fosse conseguido resolver a refeição para a criança.
Como ainda era cedo, estavam uma ou duas mesas ocupadas, no bar da entrada, algumas pessoas. Com as "etiquetas" do empregado, comecei a ficar atrapalhado, primeiro porque estava na tua companhia e eras minha convidada e segundo tinha que resolver correctamente o restante.
O empregado atenciosamente quis dar solução ao caso, mas tu não deixaste por mãos alheias a refeição da criança e acabaste tu por resolver com o senhor e seria uma sopa apropriada.

Entretanto num restaurante quase vazio eu tentava distrair a Susana, e foi ela mesma que disse a última palavra, quando o empregado se afastava da mesa "Sr. eu quero a sopa passadinha".
Claro esta frase granjeou a simpatia do Sr. e quando lá fomos mais uma outra vez, fomos cordialmente atendidos.

Foi durante esta refeição que gravei na minha mente, a delicadeza e a elegância dos dedos das tuas mãos.

O POSTAL

Tinha muitos e muitos Postais Ilustrados, não de colecção, mas sim como recordação de uma exposição que eu tinha realizado com amigos na minha adolescência.


A estes foram-se juntando outros da Suzaninha que nós enviava-mos para o Porto quando ela em pequena ia de férias. Só houve um que definitivamente não me deixaste juntá-lo com os outros dentro de uma caixa.


Quando jovenzito como tu à data deste Postal, não tive oportunidade de receber qualquer correspondência, a não ser os postais das faltas na escola e na melhor das hipóteses uns bilhetinhos dobrados em quatro por mão própria...


Claro que este Postal era muito especial para ti, tinha sido enviado pelos teus pais quando também estavas de férias.


Talvez único e não o quiseste perdê-lo. E eu guardo-o até poder.


23 Maio 2007

23 de Mai de 2009















Sempre para ti. 23-05-2007

PRECISO DE TI

18 de Jun de 2009






Preciso tanto de ti,

e tantas vezes te chamo,

mas não é suficiente a força com que te amo.

Amei-te imenso na vida, e agora num lugar frio

um coração magoado clama um espaço vazio.

16 de setembro de 2010

RECOMEÇAR, ASSIM O ESPERO

Sabes perfeitamente o porquê, em parte de tão longa ausência.
Nem sempre as coisas correm como desejamos, e tu sabes isso. Mas cá estou agora, porque tu mesmo sem o saberes, induziste-me a voltar.
Junto à entrada da Escola
Tão só, porque no inicio deste este ano escolar fizeste questão que eu te acompanhasse à Escola no primeiro dia de aulas. Fiquei muito contente, porque me fez muito feliz o teu pedido, agora que estás muito mais crescido.
A àlgum tempo falamos sobre os teus ' ídolos 'de agora e os meus da minha juventude.
Falei-te especialmente de um, o Che Guevara. Tentei da forma mais simples possível, explicar-te quem ele foi. Até aqui nada de especial, pensei que possivelmente irias esquecer vagamente, na melhor das hipóteses.
Mas mais uma vez, valorizaste a estória do teu avô, quando ao ires com a mãe às compras viste uma mochila com a figura de Che. Querias, ficaste preocupado porque só lá tinha duas ou três penduradas. E fizeste a mãe entrar em "negociações" comigo para comprar ou não a mochila, o estilo e... outros pormenores.

Foste comprá-la, e quase propositadamente tive de ir a tua casa ver a mochila.
Obrigado meu neto.

18 de junho de 2009

AMIGOS


A falta de amigos faz
com que o Mundo
pareça deserto.

É muito bom
têr a tua amizade.

4 de junho de 2009

LIVRO MEU É UMA PRENDA TUA

Uma manhã primaveril em Abril deste ano, ofereci-te alguns euros para ires com a mãe a Sintra, ver teatro infantil com oficinas de trabalho para vocês crianças. Pelo que me disseste, foi aventura de que gostaste mas lamentando que estavam poucos meninos.
Quando fores grande vais compreender porque foi assim. Quando são grupos de teatro independente e populares, que vivem só do apoio das pessoas para poderem ser Actores Livres o resultado é quase sempre o que viste. Só pais interessados na evolução dos seus filhos, compreendem a necessidade de as crianças irem a estes espectáculos que são livres de normas de publicidade que também vês na televisão. Não notaste a diferença ?? Reparaste que não havia nada que já tivesses visto na TV ??.
Bem o motivo porque já estou falando sobre ti, é que me estou aperceber que já começas a ser uma saudade, porque estás a deixar de ser um bébé.
Criança pequenina a quem, um dos muitos livros de histórias que eu comprava para ti, porque todos os dias te lia uma história, foi um livrinho sobre um Ermita. Como te deves recordar, era um Caranguejo que procura sempre uma concha vazia para se introduzir dentro e anda sempre com a casa às costas. Tiveste a oportunidade de acompanhar a vida de um bichinho destes , quando o avô montou um NanoReef (pequeno aquário de água salgada).

Acontece que pelas cores ou pela forma como te contava a pequena história, obrigaste-me muitas vezes a repeti-la até adormeceres.
Um farol, um ermita, uma estrela do mar, rochedos, a praia, as gaivotas e as nuvens eram as personagens.
E passado algum tempo era uma das histórias que gostavas de fingir ler à avó Adélia, quando resolvias arranjar pretexto para atrasares outros afazeres, procurando emitar-me nas entoações dadas aos personagens da história.
Nesta tua ida ao teatro, onde havia pequenos trabalhos artesanais à venda, viste um cinzeiro, se calhar para ti era um pratinho de vidro e pediste à mãe para "comprar para o avô". Não podendo a mãe meter-se em despesas desnecessárias a tua convicção do justo pedido foi tão grande que a tua mãe não hesitou em to satisfazer.
Quando vi a tua prenda, compreendi que a imagem do cinzeiro com os elementos e cores da história do Ermita te fez recordar quantas histórias bonitas te li (e outras que me explicaste à tua maneira), quantas músicas te sussurrei ao ouvido, o menino negro, hino da alegria, o meu menino é de oiro, canta amigo canta e tantas outras, que diariamente te presenteava para adormeceres.

Obrigado meu neto. Foi muito importante para mim.


22 de setembro de 2008

Vanessa-Mae plays Classical Gas Raggae

Mas porque não quero que digas que sou antiquado aprecia este até ao fim

Vanessa Mae : Fantasy on a theme from Caravans

Meu neto, ainda não regressei. Entretanto delicia esta música com uma violinista de que o avô gosta muito. Embora actualmente actue com violino electrónico, começou os seu grandes espectáculos com violino clássico.

8 de agosto de 2008

REGRESSEI....

Já alguns dias que aqui não vinha, não por falta de vontade mas, Guilherme nem sempre as coisas correm como nós desejamos e por exemplo já estou à muitos dias sem te ver e isso está a aborrecer-me, mas adiante. Tenho agora oportunidade de te mostrar individualmente alguns dos brinquedos com que brinquei.


Há um que me era muito aborrecido; o do cavalinho com a carroça, porque o cavalo estava sempre a dar cambalhota ao mínimo obstáculo mesmo muito pequenininho. O rakrakrak, a avó Amélia só me deixava brincar com isto no quintal porque não suportava o barulho, e também punha reticencias com o passarinho, aqui era taktaktak.





Este reboque (com guindaste) era um dos meus predilectos, porque me permitia recriar situações de rebocagem de pequenos carrinhos e barquinhos. E também umas caixinhas muito especiais de cortiça, que nunca mais voltei a ver e tu também não irás ver proválvelmente. Estas pequeninas caixas em cortiça, continham as ampolas das injecções. Então o avô com fio de embrulho (agora é fita-cola ou fita-decorativa) amarrava a caixa como se fosse um pequeno embrulho e pendurava no guindaste e levava a "mercadoria" para a outra ponta da casa, o que dava um grande trabalho, com paragens... por diversos sítios.


Esta motinha com atrelado também gostava de brincar porque deslizavam muito bem quando tinham alguma coisa dentro. As rodas e os eixos eram metálicos e por isso andava bem.
Em conjunto com estes brinquedos havia os pequeninos barquinhos feitos com casca de árvore, que eram moldados raspando na pedra dos passeios e que o avô já te ensinou a fazer, quando fomos no comboio azul e atravessamos a ponte 25 Abril sobre o rio Tejo. Lembraste ?

Fiz dezenas deles e brincava no tanque de lavar roupa, ou nos dias mais frios a minha avó deixava-me brincar na cozinha, numa bacia grande com alguma água.Quando mais rapazote e já sabia ter cuidado com facas ou canivetes (navalhas) fazia barcos com as bases das folhas das Palmeiras, que caíam durante o inverno e dava-me tempo para fazer os barcos aos bocadinhos, até chegar os dias bons da Primavera para ir brincar com eles para as Linguetas do cais. As bases das folhas tem a forma básica de um casco de barco, e isso facilitava muito a feitura, mas era trabalhoso... ainda fiz uma meia dúzia deles na minha vida.

Netinho que tenhas usufruído muito no teu mundo do brincar.

29 de julho de 2008

MÚSICAS - DANÇAS - INICIAÇÕES II/II

Gostaste de ver e ouvir este tango?, será algo estranho para ti concordo, porém independentemente de gostares ou não, tens de reconhecer o valor da execução da música sem qualquer electrónica a coreografia simples, com arte e não o simples abanar de corpos.
Está bem queres o resto da história.
Estávamos em Maio de um ano, algures por 65/66, tinham começado aquelas tardes de quase verão. É nesta altura que que se vai passear pela avenida, os rapazitos da minha idade começam a procurar as companhias femininas para o verão que se aproxima, e mais imediatamente para os bailaricos do São João.
Ora o teu avô num grupinho maluco de rapazes, lá conseguiu juntar-se a outro grupinho de miúdas com quem passávamos os restos das tardes na avenida até ao Castelo do Queijo, sentando-nos nos bancos do jardim, num misto de brincadeira infantil e o querermos parecer já crescidinhos. Deste grupo os nomes que me recordo são a Joaquina, a Zé, a Anabela e a Adélia.
Não não era a Avó Adélia, embora no próximo Post eu te vá falar sobre esta Adélia e talvês fiques com uma opinião parecida com a minha de que nada acontece na vida fora do "Puzzle".
Estava em casa numa tarde de sol (já não morava no Passeio Alegre tinha mudado para aRua Bela que tu ainda conheceste) bateram à porta a avó Amélia foi à janela e chamou-me dirijindo-se ao meu quarto e diz-me serenamente que estava uma rapariga à porta para falar comigo.
Guilherme se eu tivesse um buraco à minha frente tinha desaparecido.
Era a primeira vez que uma rapariga me tinha ido procurar a casa, nunca tal me tinha acontecido fiquei todo envergonhado perante a minha avó e lá fui à porta.
E quem era senão a Adélia em pessoa e sozinha (o que era mais impressionante) a convidar-me para irmos dar uma volta.
Com alguns dedos de conversa à porta a avó não apareceu junto de mim. Ficou dentro de casa.
Guilherme, esta atitude da avó Amélia, foi uma manifestação de confiança e respeito no neto apesar de criança. Por isso eu admirei e gostei tanto da minha avó Amélia; e a tua avó Adélia também se dava muito bem com ela.
Então devo ter ganho algum sangue frio para a ocasião e fui pedir à avó para poder ir dar uma volta, e sabes que me deixou sair, claro depois das recomendações habituais.
Esta amiga Adélia decididamente era a alegria em pessoa. É difícil fazer o retrato para ti, que nasceste à tão pouco tempo. O clic dará mais ou menos isto: uma miudinha com a minha altura, da mesma idade que eu, magrinha, morena, cabelo curto, mini-saia, e meias de rede (que à pouco tempo esteve na moda outra vez). Sempre alegre, desafiadora, não aparentava medo de nada.
Creio que no dia seguinte ou dois, já estava novamente a passear na sua companhia. Lembro-me que conseguia-mos falar sobre coisas diferentes, dos nossos gostos e desagrados. E estranhamente não ia-mos passear para a Avenida, mas sim para aquelas ruas interioriores, largas com árvores de cada lado... as ruas dos Palacetes das "pessoas bem".
Sabes qual era o divertimento dela ??? Esconder-se. Sim esconder-se, tinha um prazer enorme em ver-me andar à procura atrás das grossas árvores ou nas reentrâncias dos portões das casas.
Isto devia-se ao facto que ela sendo do interior da Foz, conhecia melhor os locais dos nossos jogos.
E com estes passeios chegamos à altura do São João. E eu sem saber dançar ou então com vergonha de dançar, como queiras.
Na Foz havia muitos bailaricos, Nevogilde, Túnel do Monte da Luz, Paraíso, Sobreiras, e outros lugares, sendo claro o mais importante o da Cantareira no Passeio Alegre.
Mas a menina à noite só podia ir para o baile de Novogilde, porque era para lá que iam os irmão mais velhos e morava ali perto.
Imagina, primeiro que eu estava a dar as minhas primeiras saídas à noite, segundo que tinha que me deslocar quase para o outro extremo da Foz para ir ter com ela, terceiro porque parecendo que adorava dançar o que é que eu ia lá fazer?.
Mas ao contrário do que pudesse parecer, ainda hoje estou para saber como é que ao som das musicas do Tom Jones, Adamo, Sandi Shaw a menina que cantava descalça, e duma música que eu gostava particularmente "ah ah..?..clawn", fui parar a um recatado canto de uma santíssima Capela a dançar, com a minha amiguinha Adélia, ensinou-me a onde colocar as mãos, o primeiro, segundo passo, frente trás, para o lado e lá fiquei naquele ritmo. Estava a tentar recordar a música mais tocada na aprendizagem. Se me lembrar volto cá e escrevo em negrito ok? Delilah do Tom Jones e também outra da Mary Hopkins.
Embora na altura parecesse, pelo menos para mim, que estávamos escondidos do mundo não estávamos, porque havia pessoas a passarem em direcção do bailarico, mas como de facto deviam ir com mais atenção com o que se iam deparar, não reparavam em nós.
Devo-te dizer que a Capela embora um pouco afastada do largo onde se realizava o baile quase que constituía um limite. A frente dava para o baile, e eu estive nas traseiras no canto da nossa esquerda na fotografia. Bem... Amplia a fotografia para veres melhor....
Talvez à quarta ou quinta música o convite foi outro, não podíamos ficar ali todo o tempo e então tinha que ir lá para o meio com ela, ainda bem que o Tom Jones tinha uma música lenta.. lá consegui controlar a timidez, dancei todo o tempo que lá estive e quando fui embora, já estava desejoso do dia seguinte.Afinal era bom dançar.
Foi assim que aprendi e poucas vezes dancei com mais alguém à excepção da tua Avó Adélia com quem dancei muitas vezes no aconchego da nossa casa.
Claro que na Guiné quando me era veladamente permitido, (porque aquilo que parece uma activa dança local, pode ser por vezes uma cerimónia séria) lá entrava eu no Batuque, mas aí não estava mais que a libertar a pressão daquilo que vivia lá.
Esta amiga enquanto convivi com ela num namoro muito indefinido e rebelde com crises de identidade, foi sempre uma óptima amiga e sua tia que me reservo no seu nome, foi sempre muito nossa amiga compreensiva e excelente educadora para a época.
Sem pretender transformar o blogue em discoteca vou colocar as duas canções próprias para consumo na época.
Meu neto de outra forma dificilmente saberás que esta concepção de música existiu.